Vamos falar sobre vocativo

Todos nós, diariamente, escrevemos a alguém, seja uma mensagem de texto, uma mensagem de correio electrónico, um convite, ou outro. Então se a mensagem for formal, este pormenor é importante que não falhe. Afinal, é a primeira coisa que a pessoa que está do outro lado vai ler. No entanto, nem sempre o fazemos da forma mais correcta.

O que é o vocativo?

vocativo é uma palavra ou expressão que serve para interpelar alguém e que pode estar no início da frase, no meio ou no fim. Não faz parte nem do sujeito nem do predicado. É normalmente usado quando cumprimentamos ou chamamos alguém, damos uma ordem, pedimos algo, fazemos uma pergunta, parabenizamos, damos as boas-vindas, etecetera. Deve estar sempre separado por vírgulas. Para perceberes melhor, vê os exemplos em baixo.

Vocativo no início da frase

  • «Bom dia, Raquel e Fred.» — Saudação usada no início de um discurso, que pode ser uma mensagem de correio electrónico, uma mensagem de texto, uma carta, um convite.
  • «Maria, anda cá. (!)» — Interpelação que indica um pedido ou uma ordem.
  • «Ó de casa, há pão fresco?» — Aqui, embora o vocativo não seja alguém em concreto, deve estar igualmente separado por vírgulas, neste caso só uma pois está no início da frase.

Vocativo no meio da frase

  • «Então, João, o que se passa?» — Quando fazemos uma pergunta com uma palavra ou expressão introdutória, o vocativo vem no meio da frase e deve ser separado por duas vírgulas.
  • «Boa tarde, Carla, como estás crescida!» — Numa saudação dirigida a alguém, neste caso à Carla, seguida de uma pergunta, o vocativo pode estar entre vírgulas.
  • «Ei, Rui, já podes baixar o volume do rádio.» — Neste exemplo, o vocativo «Rui» vem entre vírgulas porque, no início da frase, chamou-se à atenção do Rui antes de dar o recado.

Vocativo no fim da frase

  • «Parabéns, Inês.» — Sempre que parabenizamos alguém e nos dirigimos directamente à pessoa, devemos utilizar a vírgula. Este é um bom exemplo que podemos já começar a pôr em prática. Todos nós enviamos mensagens de parabéns à nossa família e aos nossos amigos, seja porque fazem anos ou porque conseguiram algo que queriam.
  • «Vais de carro, João?» — Instintivamente, o vocativo aqui viria no início da frase. No entanto, se estivermos num sítio com mais do que uma pessoa, por exemplo, e perguntarmos algo, muitas vezes fazemos a pergunta primeiro, e, quando a estamos a dizer, percebemos que teremos que especificar para quem estamos a falar. Por isso, o vocativo vem no fim da frase.
  • «Não percebeste nada do que te expliquei, morcão.» — Aqui, pode até ser um diálogo no qual só participam duas pessoas, mas o vocativo ajuda a reforçar a ideia que a pessoa que estava a receber a explicação não a percebeu.

Há ainda casos em que não se trata só de não distinguir o vocativo, como também altera o sentido da frase. De certeza que já ouviste aquela piada do moço que vai ao frigorífico buscar uma cerveja e, ao ver que só há uma, grita «Mãe só há uma!» Sem a vírgula, significa literalmente que só há uma mãe. Contudo, se acrescentarmos a vírgula, «Mãe, só há uma!», significa que, no caso desta piada, só há uma cerveja no frigorífico. O mesmo acontece com a piada em que se chamam as crianças para ir comer. Sem a vírgula, «Venham comer crianças!», significa que alguém está a ser chamado para ir comer as crianças, mas, pelo contrário, se usarmos a vírgula, «Venham comer, crianças!», significa que se está a chamar as crianças para virem comer.

Sei que vemos muitas vezes a utilização do vocativo sem a vírgula, e isso leva a que nos habituemos e passemos a achar normal, mas é um erro e deve ser evitado. Agora que já percebeste o que é o vocativo, nunca mais te vais esquecer de usar as vírgulas, certo?

Nota: Todos os exemplos e contextos descritos em cima são momentos que presenciei, muitas vezes como ouvinte não participante.

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